Para Claudia Regina Ribeiro
Vestir-se
Quem diria, Emily,
que estaria agora aqui
no shopping
lendo seus versos...
Sentado na poltrona do 1° piso,
furacão invisível de desejos alheios
os quais vagueiam olhares
de súplica ou tédio
por sobre os cristais das vitrines,
quem diria... quem diria...
que hoje eu leio:
O bordo ostenta um lenço mais alegre,
A campina, uma saia escarlate;
Para não estar fora de moda,
Vou tratar de me enfeitar.
Emily,
qual a diferença
entre a sua, a minha e a solidão dos outros?
A sua veste-se de natureza.
A minha com seus versos.
A dos outros não sei...
Mas sei que há muitas madames por aí que só compram roupas de grife.
E às vezes nem usam...
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Em itálico fragmento extraído do poema "As manhãs estão mais suaves" (DICKINSON, Emily [1830-1886]. Poemas escolhidos. Tradução de Ivo Bender. São Paulo: Mediafashion, 2017 [Coleção Folha. Mulheres na literatura; v. 2]).
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