quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

 

                            para Araciaba Filho 

 

 

Mãos de marinheiro

 

 

Um homem abaixou-se

diante de mim.

 

Mas isso não quer dizer 

que ele 

fosse menor que eu.

 

Isso não quer dizer que 

o fato de estar curvado 

aos meus pés 

não o fizesse tão alto e generoso 

quanto uma árvore frondosa.

 

Com a calma de um monje 

e o gesto gratuito de um franciscano,

o homem curvou-se

‒ como se curva a verdade enigmática

de uma pedra.

 

E suas mãos de marinheiro amigo

ataram as cordas distraídas dos meus sapatos 

para que, desse jeito,

os seguros passos no caminho eleito

não dessem de cara no chão.

 

Mas às vezes acontece...

5 comentários:

Anônimo disse...

É aquele mesmo que eu conheço.

Celma da Silva disse...

O reconhecimento é algo grandioso nas esferas da vida!!!!

ivo ayres disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ivo ayres disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ivo de Souza disse...

Não tenho a mínima ideia como apareceu esse Ivo Ayres. Deu uma falha no sistema. Pois bem. O poema terminei hoje de manhã. Deixei de lado as ideias mirabolantes e terminei de maneira coloquial e simples. Como exige a simplicidade de um ato.