A pedra e o pensamento
Chega-se determinada hora
que o pensamento não mais se move.
É lago de sombras e silêncio,
calcado num suspiro-memória.
Chega-se determinado dia
que o pensar range junto aos ossos.
É cismar de relógio no quarto.
Poer se fazendo, palha de vida.
Chega-se num impensável tempo
que tal pensamento é laje fria
sob o sol. E até da estupidez
da pedra. E do formol consenso.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Notas sobre o pensamento
Pensamos andando,
porque parar pra pensar
é ter uma pedra no calcanhar.
* * *
Pensamos ao andar,
porque andando
contamos aos nossos passos,
que não contam conosco
da esquina ao dobrar.
* * *
Pensamos andando
ou é o sonho: anda,
para num sinal
depois, atravessar.
* * *
Paramos de pensar
quando pisamos pensamentos
feitos de ar.
Pensamos andando,
porque parar pra pensar
é ter uma pedra no calcanhar.
* * *
Pensamos ao andar,
porque andando
contamos aos nossos passos,
que não contam conosco
da esquina ao dobrar.
* * *
Pensamos andando
ou é o sonho: anda,
para num sinal
depois, atravessar.
* * *
Paramos de pensar
quando pisamos pensamentos
feitos de ar.
sábado, 19 de janeiro de 2013
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
sábado, 29 de dezembro de 2012
Com meu amor
O que vou fazer com meu amor?
Guardá-lo (silêncio de baú),
enrolá-lo em panos amarelados,
como mudo instante que passou?
Inventariar roupas esquecidas,
brancos lençóis e grandes saias
que flutuam varais de lembranças
ao roçar a brisa adormecida?
Irei trazê-lo, embrulhado aos braços,
como aquele pão mal-dormido
na longa insistência do amanhã,
na curta existência do ocaso?
Com meu amor terei borboletas
sem destino. Mas com afinco
ao quieto sentido: vagalumes.
E topo na pedra-destino.
O que vou fazer com meu amor?
Guardá-lo (silêncio de baú),
enrolá-lo em panos amarelados,
como mudo instante que passou?
Inventariar roupas esquecidas,
brancos lençóis e grandes saias
que flutuam varais de lembranças
ao roçar a brisa adormecida?
Irei trazê-lo, embrulhado aos braços,
como aquele pão mal-dormido
na longa insistência do amanhã,
na curta existência do ocaso?
Com meu amor terei borboletas
sem destino. Mas com afinco
ao quieto sentido: vagalumes.
E topo na pedra-destino.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Amor
Contigo minha relação é de silêncio,
de sombras que transpiram no silêncio,
de sombras que se tocam no silêncio.
Do silêncio impalpável das sombras.
De silêncio insondável é feito o oceano,
que se recolhe todo na concha da mão
e se esvai no filete gotejante do tempo
pigmentando a sombra da lembrança.
O silêncio dos sonhos no céu,
o branco silêncio da rosa, das lágrimas,
das sombras das aves, dos lábios tocados,
da palavra formada e jamais alcançada.
Contigo minha relação é de silêncio,
de sombras que transpiram no silêncio,
de sombras que se tocam no silêncio.
Do silêncio impalpável das sombras.
De silêncio insondável é feito o oceano,
que se recolhe todo na concha da mão
e se esvai no filete gotejante do tempo
pigmentando a sombra da lembrança.
O silêncio dos sonhos no céu,
o branco silêncio da rosa, das lágrimas,
das sombras das aves, dos lábios tocados,
da palavra formada e jamais alcançada.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Vênus
O amor agora é embalado a vácuo.
Sem distinção, em série, vigiado.
Enfileirado em painéis metálicos;
cravado em finos pinos fálicos.
No varejo ou no atacado o amor é belo.
No crédito ele é mais que um elo.
Mas é no débito que dá tesão,
tal propaganda de televisão.
Lubrificado artificialmente,
tem medo, tem risco e até não se sente.
É desejo contido, por um fio...
Por fina película, dividido.
Assim é nosso amor dia a dia:
comedidos versos, não contagia.
O amor agora é embalado a vácuo.
Sem distinção, em série, vigiado.
Enfileirado em painéis metálicos;
cravado em finos pinos fálicos.
No varejo ou no atacado o amor é belo.
No crédito ele é mais que um elo.
Mas é no débito que dá tesão,
tal propaganda de televisão.
Lubrificado artificialmente,
tem medo, tem risco e até não se sente.
É desejo contido, por um fio...
Por fina película, dividido.
Assim é nosso amor dia a dia:
comedidos versos, não contagia.
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